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15/07/2009

O futebol na Bahia um exemplo de anacronismo.

 [1]Hércules Azevedo da Silva

 O futebol, aclamado em verso e prosa como a prática esportiva mais importante do mundo devido a sua imensa popularidade, principalmente, entre as pessoas de baixa renda, tem passado por um profundo processo de concentração de poder a partir do advento da formação dos chamados “grandes clubes” e pela livre ação de empresários, cujo papel seria o de defender os interesses individuais dos jogadores, além de servir para tornar “limpo” determinados recursos de origem no mínimo duvidosa.
 
O processo de concentração que vem ocorrendo no âmbito esportivo, principalmente, na Europa. Tem se caracterizado pela ampliação da ação de empresários que agem como mecenas da contemporaneidade; garantido a ascensão individual de uma pequena parcela de jogadores, cujos salários e demais ganhos causam inveja aos seus mais ferrenhos opositores.
 
Na Bahia, o fenômeno de concentração verificado no Velho Mundo é marcado por um singular fenômeno político. Assim a maioria das agremiações esportivas em nosso Estado encontra-se sob o controle de verdadeiras oligarquias, cujos interesses na maioria das vezes se sobrepõem ao desejo dos seus torcedores.

Na terra da magia, o nível de controle social, político e econômico exercido pelos dirigentes esportivos extrapolam o ambiente dos clubes de futebol, atingindo inclusive a área pública. Entre nós já se tornou corriqueiro o dirigente esportivo exercer simultaneamente cargos na esfera pública e privada comprometendo assim a sua atuação, misturando e confundindo interesse pessoal e interesses dos clubes, com os interesses da coletividade.

Uma forma de constatar o anacronismo em que vive as agremiações esportivas da Bahia é a leitura dos Estatutos destas instituições, cujo conteúdo conservador é facilmente desmascarado no que diz respeito aos princípios democráticos (Eleições Diretas, Participação Popular, Transparência e Liberdade), que não são observados pela maioria esmagadora dos clubes. 

É praxe nas entidades esportivas baianas a indicação de notáveis e ou amigos no momento de constituição de seus Conselhos e demais Instancias de Poder. O que acaba dificultando e impedindo a ativa participação dos sócios e torcedores que deveriam ser sua razão de ser e existir.

 Outro aspecto importante diz respeito ao processo de escolha dos gestores dos clubes, já que às eleições na grande maioria das entidades em nosso Estado são realizadas de forma indireta impedindo que os ares revigoradores da participação popular renovem os quadros dirigentes. Sendo mais um elemento que comprova o descompasso entre a realidade política e constitucional do Brasil e a estrutura jurídico-política de nossas agremiações esportivas.

O desafio que está colocado para aqueles que de uma forma ou de outra continuam colaborando para a existência de nosso futebol é lutar para que os instrumentos da democracia participativa possam transformar a realidade dos clubes baianos de um modo geral.

1 - Professor da Rede Pública do Estado da Bahia, Licenciado em História pela UCSAL e Pós-Graduado em Planejamento e Prática do Ensino Superior pela Faculdade Olga Meting e em Psicologia Transpessoal pela Faculdade de Medicina e Instituto Holon, membro atualmente do Conselho de Gestão das Organizações Sociais - Congeos.

 
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