02/03/2009O Brasil e suas singularidades políticas
por Hércules Azevedo da Silva*
Várias são as variáveis que poderiam ser usadas para explicar o cinismo dos agentes políticos em nossa estrutura institucional. Assim, quando vemos o espetáculo proporcionado em Brasília (no caso das denuncias envolvendo o governador Arruda e seus amigos instalados na Câmara Distrital), no escândalo conhecido como mensalão dos democratas verifica-se que as lições relacionadas à questão da Ética, no trato da questão pública, ainda, não foram devidamente compreendidas pelos nossos gestores públicos e muito menos pelos partidos.
Em nossa tradição política, o que é público tem sido visto e ou administrado, como uma instância de acumulação natural do interesse privado. O que contribui mesmo de maneira informal para institucionalizar as práticas patrimonialistas e clientelistas de nossos administradores públicos.
Para mudar este perfil será necessária uma profunda transformação dos hábitos e costumes políticos de nossa sociedade, que infelizmente, ainda aceita de forma passiva, o estabelecimento de relações baseadas na pura e simples troca de favores, como elemento constituinte do fazer político.
No Brasil, quem postula uma alternativa ao clientelismo e ao favorecimento pessoal tão em voga no cotidiano político-social do país. É identificado como romântico e idealista (elementos do pensar social, vistos neste caso: como inibidores da realidade), já que as práticas correntes no relacionamento sócio-político nacional estão demarcadas pelo fisiologismo/ pragmatismo.
Neste cenário complexo e cheio de contradições foi que a Esquerda chegou ao governo, que como já dissemos anteriormente tem sido usado como instrumento dos interesses privados, devido, as características que até aqui apontamos. Desse modo, precisamos fazer uma profunda reflexão sobre o contexto em que estamos atuando para através da retórica alicerçada pela prática apontar novas formas de gerir o que é público segundo os interesses públicos.
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* Hércules Azevedo da Silva é Professor da Rede Pública, licenciado em História pela UCSAL, com Pós-Graduação em Prática e Planejamento do Ensino do Terceiro Grau pela Faculdade Olga Meting e em Psicologia Transpessoal pela Faculdade Baiana de Medicina e Instituto Holon, atualmente é Conselheiro do Conselho de Gestão das Organizações Sociais - Congeos.
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