11/06/2009"Toda a Mulher Negra e Homem Negro é um Prisioneiro Político"
Durante a Primeira Conferência Territorial LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros) ocorrida na cidade de Camaçari no dia 05 de abril do presente ano, durante um GTD - Grupo de Trabalho e Discussão, compunham esta Mesa de Segurança Pública, o Senhor Coronel Francisco Leite e o Cel. Castro. A finalidade era tentar discutir uma Segurança Pública cidadã, que de fato respeite as diversidades presentes na sociedade. Pena foi, em um debate tão rico como esse, não ter os movimentos sociais presentes rebatendo algumas colocações das representações do ESTADO.
Uma das colocações que mais me inquietou foi a declaração feita pelo Coronel Francisco Leite, quando questionei sobre o processo de ressocialização e cidadania das pessoas em situação de cárcere. Já que reconhecemos que os Presídios Brasileiros refletem as mazelas sociais próprias da sociedade capitalista. Em que em momento algum conseguem de fato trazer uma nova possibilidade para as pessoas que se encontram encarceradas e sentenciadas sobre a responsabilidade do Estado.
Infelizmente ainda hoje, nós dos movimentos sociais e principalmente o Movimento Feminista e Movimento de Mulheres, não estamos conseguindo ir para além das grades simbólicas do modelo repressivo do Estado Falido.
A minha intervenção foi sobre a Sexualidade nos Presídios/visitas íntimas para pessoas do mesmo sexo, já que o Estado estabelece um modelo de relacionamento; determinando as formas, as relações e também o exercício da sexualidade feminina e masculina. Essas visitas seguem um modelo heterossexual e androcêntrico; onde os Homens recebem visitas intimas uma vez por mês de suas companheiras, enquanto as mulheres mesmo sendo heterossexuais acabam ficando sozinhas nesses espaços, e muitas vezes nem tendo além de seus companheiros seus familiares para visitá-las.
Basta ver o tamanho das filas nos dias de visitas na ala masculina no Complexo Penitenciário Lemos de Brito.
Uma outra colocação foi sobre a presença intensiva das Igrejas Neopentecostais com a finalidade de Evangelização e Opressão nos presídios, compreendo que essas igrejas são grandes responsáveis pela Intolerância Religiosa e práticas discriminatórias para com a comunidade LGBTT.
Após esses questionamentos, obtive como resposta do Coronel Francisco Leite:
"É difícil o trabalho com os Movimentos Sociais". Tentou-se fazer isso com o MNU - Movimento Negro Unificado, porém o senhor Hamilton Borges em seus trabalhos no presídio passou a incitar os presos, dizendo que: "Todo o Homem Negro preso é um Preso Político".
Percebi quanto é necessário irmos sim para além das grades simbólicas, buscarmos a reintegração dos nossos irmãos e irmãs, cuja maioria é NEGRA, oriundas de baixa renda, que tantas vezes cometem delitos, porque são levados pela necessidade da própria sobrevivência e de suas famílias, pois com toda a certeza "Toda a Mulher Negra e Homem Negro são Presos Políticos"- MNU.
A criminalização dos Movimentos Sociais, em especial do Movimento Negro, pelo poder institucional do Estado é algo recorrente. O Movimento Negro Unificado, que mostrou a existência de uma falsa Democracia Racial na sociedade brasileira, ainda hoje é atacado mais uma vez pelo Estado. Ao ser acusado de estar INCITANDO e não de está apresentando para aqueles e aquelas vítimas sociais, a cidadania e o respeito.
Quando o Estado Brasileiro não comete o Genocídio da Juventude Negra Brasileira ele simplesmente nos amontoa, similarmente aos Navios Negreiros.
Fabiana Franco Coletivo Feminista Marias
Fórum Baiano de Juventude Negra